terça-feira, 8 de março de 2011

Às Marias


Hoje é dia de Maria...

Maria dos morros dos velórios
das sacadas das calçadas
dos achados dos perdidos

da Maria-vai-com-as-outras
e da outra, a que fica

Daquela Maria que almeja
paixão preguiçosa
que mexe remexe acomoda
(não se atreve ir embora)
traveste-se em amor

Também da Maria-abismo
antro de perdição
Maria-bordô!

Da Maria de encantos mil...

Maria-rosa chocolate
branco neve algodão doce
Maria-espinho

Importada nacional
acadêmica analfabeta
executiva piloto de fogão

Maria do príncipe
(futebolístico ou não)
Maria que ama Maria...

Daquela que crê que reza que implora
que vai à igreja que despacha na esquina
que não dá bola

Maria da fome, dos talheres de prata
erudita popular
(“ir-me-ei...; toma lá da cá!”)

Maria boêmia abstêmica
avião balão
Maria, Maria...

Bruta lapidada
peçonhenta panaceica
(dese)equilibrada
puta indissoluta
(r)evolução estelar

Todas belas, todas manias
com ou sem cria
Marias emoção!

Sim, todo dia é dia de Maria!
que tomba levanta que sonha
que cala, das vozes-maria

Maria (im)perfeição
Maria poesia

- Ave, Maria!




Dados sobre a Autora:

Lou Vilela é natural de Natal-RN, residente na cidade do Recife-PE. Formada em Administração, com Especialização em Logística Estratégica, atua no sistema público federal há alguns anos e, simultaneamente, dedica-se às atividades literárias. Na web, a autora expande a sua voz nos blogs pessoais: Nudez Poética, Histórias (re)inventadas e Ritmos e Rimas, sendo este último dedicado às crianças. E é assídua colaboradora nos espaços coletivos “Maria Clara: simplesmente poesia” e “O Gato da Odete”. Contatos com a autora: louvilela@hotmail.com





Referência:

VILELA, Lou. Às Marias. In: FERNANDES, Hercília (Org.). Maria Clara: uniVersos femininos. São Paulo: LivroPronto Editora, 2010, p. 99-100.


*Imagem localizada no Google sem indicação de autoria.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

30 Mensagens de Amor e Uma Recordação

.........Neste sábado, 12 de fevereiro de 2011, o poeta português “Vicente Ferreira da Silva”, autor dos livros “Metafísica [Poética]” (Ami: 2007), “Interlúdios da Certeza” (Temas Originais: 2009) e "Diálogos, Epístolas Inertes" (Edium Editores: 2010), dentre outros, estará lançando, na Reitoria da Universidade do Porto, às 16:30, o seu recente livro de poesia: “30 Mensagens de Amor e Uma Recordação”, pela Edium Editores. 
.........O livro, além de sua natureza propriamente poética, segundo explanação do poeta, realiza “uma ponte entre mundos lusófonos”, tendo sido prefaciado por “Maria Luísa Malato” e posfaciado por mim, “Hercília Fernandes”.
.........Na obra, Vicente brinda-nos com 31 poemas que tematizam as profundezas do interior humano, expandindo em versos um sentir/pensar filosófico cuja fonte inspiradora alia-se a complexos fundamentos da Física moderna, dentre eles a “Teoria das Cordas” que, em síntese, propõe-se à (re)descoberta do Universo a partir da unificação dos princípios aparentemente divergentes da Mecânica Quântica à teoria geral da Relatividade de Einstein.
.........Poder-se-ia, então, visionar o poeta por entre as Cordas de um Violino – ou, como metaforiza o autor, entre as *cordas da Harpa do Cosmos[1]* -, entoando liras à natureza, à existência, à sua amada... buscando, com esse “gesto cósmico[2]”, estabelecer unicidade com o Multiverso. E, nesse vislumbre, os filamentos de suas Cordas fazem fluir *o pensamento sentido*, oferecem evasão à emoção, ao sentimento, onde *acontece poesia em ti* e *acontece também poesia em mim*.
.........Além de 31 poemas – ou, melhor, de “30 Mensagens de Amor e Uma Recordação” -, Vicente oferece-nos 4 (quatro) “Cartas” que funcionam, no conjunto da composição, como “glossário”. Assumem, na obra, a função de compartilhar, poeticamente, os horizontes de sua elaboração, os conceitos e as fontes compartilhadas que, aliadas à intensidade da emoção, guiam-no ao pensamento sentido.
.........Assim, as cartas, bem como a soma de referências presente nos poemas, levam-nos a vislumbrar, na obra, a existência de um “Amor Cósmico” concretizado no plano da invisibilidade. Muito embora o sonhador almeje, *por uma breve eternidade*, experienciá-lo corpóreo e integralmente; considerando que: *As ondas da tua paixão atingiram-me violentamente*, e, nelas, coexistem *alturas em que apenas nós somos*.
.........Essas foram algumas considerações realizadas em minha escrita de posfácio, cujo convite do poeta possibilitou-me, fenomenologicamente, experienciar. Para complementar essa breve exposição, compartilho o poema que oferece abertura aos multiversos do autor, donde as palavras [sentidas] levam-nos a acontecer poesia:




.........Acontece poesia em ti
.........sempre que olhas,
.........afirmando uma vida pulsante,
.........magnífica,
.........como
.........o cintilar das estrelas no céu,
.........o resplendor brilhante do Sol
.........nos teus doces
.........e meigos olhos.

.........Acontece poesia em ti
.........sempre que ris,
.........criando umas curvas no rosto,
.........sensuais,
.........como
.........os campos de searas ao vento,
.........as ondas nas águas de um lago
.........ao sabor da quente
.........e harmoniosa aragem do Verão.

.........Acontece poesia em ti
.........sempre que andas,
.........alimentando o nascer de sentimentos,
.........sinceros,
.........como
.........o delicado desabrochar de uma flor,
.........o despontar do amanhecer da vida
.........no enternecido ser
.........do meu coração.

.........Assim,
.........quando
.........eternamente te penso,
.........te sinto,
.........te vivo,
.........por fim
.........acontece também
.........poesia em mim.

.........Vicente Ferreira da Silva


Vicente Ferreira da Silva possui formação em “Gestão de Transportes e Comércio Externo e Estudos Europeus” (Relações Internacionais).
É Auditor de Defesa Nacional e Doutor em “Ciência Política e Relacões Internacionais”, pela Universidade do Minho.
Na Web, o autor atua em vários espaços poéticos, dentre os quais destacam-se os blogs d’Inatingível e Infinito Azul. Atualmente, também escreve ao jornal O Público, de Lisboa. Contatos com o autor: doinatingivel@gmail.com



Notas:
[1] As frases destacadas *entre asteriscos* consistem fragmentos de escritas pertinentes à obra.
[2] BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. Trad. Antonio de Párdua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1988, p. 95.