segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Profissão Professor: luta e esperança



A esperança faz parte da natureza humana. Seria uma contradição se, inacabado e consciente do inacabamento, primeiro, o ser humano não se inscrevesse ou não se achasse predisposto a participar de um movimento constante de busca e, segundo, se buscasse sem esperança. A desesperança é a negação da esperança. A esperança é um ímpeto natural possível e necessário, a desesperança é o aborto deste ímpeto. A esperança é um condimento indispensável à experiência histórica.

Paulo Freire


Que esta data, 15 de outubro, em que se homenageia o professor, sirva-nos para rememorar as lutas, embates e conflitos pertinentes ao longo processo histórico de constituição da profissionalização docente.

Quanto às conquistas, não se pode negar que, no curso dos últimos anos, muitos avanços têm ocorrido, especialmente em termos de reconhecimento do magistério como atividade profissional e não extensão de faculdades divinas ou vocações naturais, ideias que colaboraram para mistificar a docência no imaginário individual e coletivo, e que, em grande medida, promoveram a desvalorização do profissional “professor”.

Todavia, muitas políticas e ações efetivas em prol da profissionalização ainda se fazem necessárias. É preciso considerar que as problemáticas que assolam as sociedades contemporâneas impõem inúmeros desafios à docência e às instituições formadoras. O que demanda a luta por uma melhor qualificação, seja inicial ou continuada, valorização salarial e reestruturação da carreira, além da oferta de boas condições materiais para que se efetivem, qualitativamente, os processos de ensino e aprendizagem.

Entretanto, além dos aspectos subjetivos e objetivos que permeiam as problemáticas do ensino e da profissionalização do magistério na contemporaneidade, considera-se que se faz necessário cultivar uma "pedagogia da esperança", no sentido de preservar acesa a chama do otimismo que, longe de se constituir instrumento de dominação, consiste instrumento de reconhecimento das situações de opressão/exclusão existentes na realidade e de resistência a ideologias, fazendo emergirem caminhos de busca e possibilidades concretas de mudanças.

Com essas palavras, oferto o meu “abraço esperançoso” a todos(as) os(as) professores(as) que tive, tenho e ainda terei o prazer e o privilégio de compartilhar saberes & práticas.


Hercília Maria Fernandes,
professora.



terça-feira, 25 de setembro de 2012

pela primavera





pelo dito no momento inexato; pelo sorriso em estado de graça; por acreditar no impossível; pela música que nos toca; por não seguir os ditados de sempre; por romper a tradição, principalmente aquelas que nos tiram a possibilidade da escolha; pelas nuvens que bailam formas únicas no céu; pelo sim amplificado nas praças públicas; pela prosa saborosa; pelo frugal deleite de acordar sem relógios e alarmes; por se dar ao direito de não saber as respostas, principalmente por saber perguntar; pelos momentos de encontros surgidos ao acaso; pela liberdade de errar, de sinceramente errar; pelo desejo que se faz festa na pele e rejuvenesce o corpo; pela poesia de todo dia; pelos muitos e diversos caminhos que os amigos nos abriram, por aqueles que só os nossos pais abririam; pelas madrugadas insones; pelo choro e a perda de alguém querido e querida; pelas vezes que esquecemos que a economia é o centro que movimenta o humano labutar; por seguir em frente mesmo após seguidas porradas; por olhar a vida de outro ponto e de outro e outro...; por andar com os próprios sentimentos, descalçados de preconceitos; por saber e reconhecer o dia de hoje como a pedra de toque que tece o passado e o futuro - ao mesmo tempo; por tantos e tantas; pelo vinho e pela dança; pelo olhar de criança; pelo brandar leminskiano distraídos venceremos: evoé primavera!



fernando cisco zappa,
23 set. 2012





 *Texto e imagem disponíveis na página pessoal do autor no Facebook.