segunda-feira, 23 de março de 2009

Próxima Matéria do Novidades & Velharias: café literário com ROMÉRIO RÔMULO


O Novidades & Velharias, reintroduzindo o quadro de entrevistas intitulado “café literário[1]”, contará com a presença do poeta mineiro Romério Rômulo para debater questões relacionadas aos seus horizontes de criação, preferências e concepções literárias e alguns elementos perceptíveis em seu novo livro de poesia, intitulado Per Augusto e Machina.

Romério Rômulo é natural de Felixlândia-MG e reside na histórica cidade de Ouro Preto-MG, onde atua como professor de Economia Política na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Sua trajetória literária envolve várias publicações em livro, destacando-se: Só pedras no caminho pedras pedras só pedras nada mais (Lemi, BH, 1979); Anjo Tardio (Edição do Autor, Ouro Preto, 1983); Bené para Flauta e Murilo (Edições Dubolso, Sabará, 1990) e Tempo Quando (Dubolso, 1996). E, atualmente, o poeta dedica-se ao lançamento do livro Per Augusto e Machina, que será publicado, ainda neste semestre de 2009, pela editora Altana.

Na Web, o poeta difunde a sua poesia no blog Romério Rômulo, onde se pode beber um pouco do seu manancial criador. No espaço, destacam-se poemas de apurada excelência artística que acenam para percepções e reflexões profundas sobre a vida e a atividade do poeta. Essas qualidades são observáveis em o texto Para Renata, onde o eu-poético chama a atenção para a sua condição de “cantador de mistérios”. Leia-se o poema:

Para Renata

eu faço poesia
porque a vida não basta
e preciso dividir mistérios.
incertos, os marimbondos vazios
me arrastam pela tarde.
o mel da manhã, fel em mim,
entope minhas veias.
quando os solavancos da palavra
vão redimir meu corpo?
quanto de mim é fogo
e terra?
sobram o hiato das pontes, os rios
degenerados. minha manhã dura
só faz o recomeço das coisas.

(Romério Rômulo, in: Romério Rômulo).

Em Para Renata, conforme se pode ler, o poeta realiza explicitações e questionamentos sobre os mistérios da criação e da própria existência humana. E, no “café literário virtual”, Romério Rômulo será instigado a desnudar algumas das afirmações e reflexões indagadoras implícitas em sua poesia.

Mas, aguardemos o debate...


Nota:

[1] As questões da entrevista já foram devidamente enviadas ao poeta e professor Romério Rômulo que, abertamente, se dispôs a participar do quadro.


quinta-feira, 12 de março de 2009

Lançamento de livro: INTERLÚDIOS DA CERTEZA


O poeta português Vicente Ferreira da Silva - autor dos livros Metafísica [poética] (AMI: 2007) e Letras, Palavras e Linhas: gestos pela diferença (AMI: 2005) -, lançará, durante este mês de março, na cidade do Porto e na capital portuguesa, o seu terceiro livro de poemas intitulado Interlúdios da Certeza, pela Temas Originais. Conforme informações no convite em anexo:

(clique na imagem para ampliar)

O autor, homônimo do filósofo brasileiro Vicente Ferreira da Silva (1916-1963), em sua trajetória criadora não nega o talento e as heranças culturais dos antepassados lusos. Apresentando beleza e simplicidade na linguagem, riqueza nas contextualizações e notória sensibilidade poética no manuseio de poemas que fundem tradição e, simultaneamente, descontinuidade estilística. Tematizando, em versos regulares/irregulares e livres, assuntos filosóficos e humanistas em apuradas imagens e leis da (meta)física: diga-se, poética!


Fluidez

.........................Nada é imutável.
.........................Tudo é mutável.
.........................Tudo é transformação.

.........................O Ser é o vector da cadência,
.........................a entidade fluida
.........................no irradiar do multiverso.

.........................Nada é impossibilidade.
.........................Tudo é possibilidade.
.........................Tudo é evolução.

(Vicente Ferreira da Silva, in: Metafísica [Poética], 2007, p. 41 )

Com aguçada inspiração, valores universais, elevados ideais e busca por sentidos, o poeta navega junto aos ardores do vento, produzindo poemas como quem compõe/decompõe tecidos para tecelagem das sensações e reflexões humanas. Tais considerações podem ser contempladas nos textos Membranas e Tapeçarias, poemas disponíveis no blog do autor d’Inatingível, que integram o livro Interlúdios da Certeza. Passemos aos textos:


Membranas

......................metamorfoses inconstantes evoluem nas (r)evoluções
......................das maçãs. pobre Newton! no caminho do ínfimo, a
......................mecânica produziu incerteza. nenhuma esfera de vidro
......................resistiu! só há inércia nos estilhaços de rubis translúcidos.

......................o retorno apenas é possível pela alquimia dos sentidos,
......................pela busca do elo dos multi-Versos interiores. Quais
......................cascatas verdes? sustenta-te nas terras das águas azuis.
......................não te esqueças que as estrelas são corpetes de jóias lilases.

......................animal político? por isso não existe lei sem paixão! Já
......................tentaste Estagira? fazes bem! de qualquer maneira não
......................é inteiramente redutor. pensa na alternativa, a Cidade
......................do Sol, e reparte-te no espírito da entidade cósmica.

......................qual a velocidade para se viajar entre galáxias? simples.
......................terá que ser geometricamente proporcional à distancia a
......................percorrer. no entanto, nada se afasta. é o espaço que se
......................expande! e aí chegarás ao pensamento do coração branco.

......................vês agora porque sigo golfinhos às quintas e as nebulosas
......................laranjas pela manhã? são a chave para a vibração pulsante
......................nos perfumes dos oceanos astrais. ou física em poeiras! No
......................acelerador de probabilidades internas dum orbe carecido.

......................que hei-de fazer? gosto de gatos siameses! principalmente,
......................em buracos de par nove. são mais resistentes. e meigos.

......................mas nunca abandonarei o imaginário vivo dos teus verbos.

(Vicente Ferreira da Silva, in: Interlúdios da Certeza).


Tapeçarias

...............................................o tempo no tempo de ser
...............................................existência conjunta.

...............................................sopros de múltipla espécie!
...............................................ondas incertas,

...............................................como afagos na liberdade em vento.
...............................................breves recordações.

...............................................ou frágeis manhãs,
...............................................nas imensas linhas do coração.

(Vicente Ferreira da Silva, in: Interlúdios da Certeza).



Breve biografia:

Vicente Ferreira da Silva tem Formação em Gestão de Transportes e Comércio Externo e Estudos Europeus (Relações Internacionais). É Auditor de Defesa Nacional e Doutorando em Ciência Política e Relacões Internacionais na Universidade do Minho. Na Web, o autor dispõe de várias publicações e postagens de textos poéticos nos blogs d’Inatingivel e Infinito Azul. Atualmente, Vicente Ferreira da Silva também escreve para o jornal O Público, de Lisboa.

Contatos com o autor: doinatingivel@gmail.com