
O Novidades & Velharias, iniciando o quadro Vozes Femininas na Blogosfera, traz a poética de algumas das poetisas que vem se destacando na Internet com suas percepções apuradas, imagens e canções.
Nesta seleta de poemas, o blog destaca o trabalho das autoras Bina Goldrajch, Bianca Feijó, Dyane Priscila e Taninha Nascimento.
As autoras e textos estão organizados mediante a ordem alfabética dos seus nomes, acompanhando breve descrição dos seus dizeres femininos e endereços eletrônicos dos espaços. Passemos às suas vozes líricas:
Bina Goldrajch: Sensível e versátil, a poetisa Bina Goldrajch manuseia, com maestria, a linguagem e expõe as sensações do eu-poético, sejam metafísicas ou carnais. Às vezes certo descontentamento e/ou pessimismo - diga-se não sufocante! - perpassa suas linhas, denunciando o estranhamento do homem pós-moderno nessa nova ordem de coisas. Escreve no blog “Deglutição de pensamentos” (http://degluticaodepensamentos.blogspot.com/), onde se encontram formas líricas e narrativas bem elaboradas.
Violenta
Vinha
lenta
lenta
lenta,
a calmaria.
Vinha
lenta
lenta
lenta,
a calmaria.
Via,
lenta
lenta
lenta,
a estrada fria.
lenta
lenta
lenta,
a estrada fria.
A inércia, antes, me aprazia,
agora anseio ventania.
agora anseio ventania.
Venta
lenta
lenta
lenta...
lenta
lenta
lenta...
Fui e me esqueci:
volto algum dia.
volto algum dia.
Bianca Feijó: Escritora reflexiva e inspirada, Bianca Feijó expande, em sua bela prosa-poética, a inquietação filosófica, muito embora se recuse a tal experiência, já que “não filosofa, tem sentidos”... A belíssima poetisa publica seus genuínos e elevados pensamentos no blog “Bianca Feijó” (http://www.biancafeijo.blogspot.com/), em seu espaço encontramos formas líricas em escritas, sensivelmente, construídas.
Creio que irei morrer.
Mas o sentido de morrer não me comove.
Lembro-me que viver ou morrer são classificações como animais ou vegetais que tenham seu normal ou mais freqüente meio de vida. Apenas faço parte das coisas.
Aceito as dificuldades da vida porque fazem parte do destino – e acredito que sem elas não haveria propósito. Se me queixo?
Sim, me queixo como quem meramente aceita, e encontra uma alegria no fato de aceitar. É difícil tanto quanto sublime aceitar o natural inevitável.
Mas o sentido de morrer não me comove.
Lembro-me que viver ou morrer são classificações como animais ou vegetais que tenham seu normal ou mais freqüente meio de vida. Apenas faço parte das coisas.
Aceito as dificuldades da vida porque fazem parte do destino – e acredito que sem elas não haveria propósito. Se me queixo?
Sim, me queixo como quem meramente aceita, e encontra uma alegria no fato de aceitar. É difícil tanto quanto sublime aceitar o natural inevitável.
Sei que o mundo existe, só não sei se eu existo.
Estou mais certa da existência da minha casa na praia do que a existência da dona da casa na praia.
Estou mais certa da existência da minha casa na praia do que a existência da dona da casa na praia.
Só sei que a vida passa e não estamos com nossas mãos enlaçadas.
Tudo que existe simplesmente existe, é uma velhice que nos acompanha desde a infância.
A realidade não é uma idéia minha, a minha idéia de realidade é que é uma idéia minha.
Por que será que Deus quis que não o conhecêssemos?
Eu não sou filosófica: tenho sentidos...
Se falo de coisa não é porque sei o que é coisa, mas porque a amo, e amo por isso. Porque quem ama nunca sabe o que ama, nem por que ama, nem o que é amar. Amar é a eterna inocência.
A realidade não é uma idéia minha, a minha idéia de realidade é que é uma idéia minha.
Por que será que Deus quis que não o conhecêssemos?
Eu não sou filosófica: tenho sentidos...
Se falo de coisa não é porque sei o que é coisa, mas porque a amo, e amo por isso. Porque quem ama nunca sabe o que ama, nem por que ama, nem o que é amar. Amar é a eterna inocência.
E, ao lerem meus textos – pensem que sou qualquer coisa.
Dyane Priscila: Jovem e apaixonadamente poética, Dyane Priscila escreve linhas sensuais e reflexivas. Há, em sua lira, a expressão delicada e profunda dos sentimentos e impressões do eu-lírico e as indagações dos valores humanos. Expande a sua sensibilidade feminina no espaço “Quimeras de mulher” (http://dyanepriscila.blogspot.com/), com critério e beleza.
Perdida nesta imensa multidão,
estou eu e meus sonhos,
estou eu e meus medos,
estou eu e minhas recordações.
Dentro desta multidão,
estou eu; e eu.
Vejo tantas faces,
olhares,
e nada sei.
Apenas imagino,
que em cada rosto que deparo em meu caminho,
há sonhos como os meus,
há medos como os meus,
há recordações como as minhas,
e neste oceano de gente,
almas, corpos. Inerentes.
Uma vontade imensa,
de realizar as proezas,
prometidas,
nas utopias criadas,
dia após dia.
E nesta imensidão,
de vida e morte,
se existe sorte,
ela escolhe apenas um.
estou eu e meus sonhos,
estou eu e meus medos,
estou eu e minhas recordações.
Dentro desta multidão,
estou eu; e eu.
Vejo tantas faces,
olhares,
e nada sei.
Apenas imagino,
que em cada rosto que deparo em meu caminho,
há sonhos como os meus,
há medos como os meus,
há recordações como as minhas,
e neste oceano de gente,
almas, corpos. Inerentes.
Uma vontade imensa,
de realizar as proezas,
prometidas,
nas utopias criadas,
dia após dia.
E nesta imensidão,
de vida e morte,
se existe sorte,
ela escolhe apenas um.
Taninha Nascimento: Delicada e sensorialmente intuitiva, Taninha Nascimento traduz, em versos simples e profundos, o desejo pleno da liberdade e a busca pela desfragmentação do eu-lírico. Sua poesia é ardente e vibrante, traz à superfície um otimismo generoso em relação aos fatos da existência, muito embora denuncie, poeticamente, a não-plenitude do ser e o seu contínuo renascimento, como uma Fênix. Em seu blog “No rastro da poesia” (http://norastrodapoesia.blogspot.com/), o leitor encontra poemas, prosas e também a difusão de autores e textos que a sensibilizam.
Falas, então, de cores?
dores?
dissabores?
Você é preto
ou é branco.
Falas de temores?
horrores?
amores?
Eu... perto.
Você... longe.
Fizeste-me pó.
E eu - apenas -
era cinza.
dores?
dissabores?
Você é preto
ou é branco.
Falas de temores?
horrores?
amores?
Eu... perto.
Você... longe.
Fizeste-me pó.
E eu - apenas -
era cinza.
Nota: O quadro “Vozes Femininas na Blogosfera” será permanente. As poetisas interessadas numa possível participação in matéria, poderão estabelecer um contato prévio com a editora deste blog: Hercília Fernandes.






