terça-feira, 13 de maio de 2008

Seleta de poemas: Vieira Calado


O Novidades & Velharias receberá, brevemente, para uma conversa informal, in “café literário”, o poeta português Vieira Calado; autor, já então, popularizado, na Europa, com vários livros publicados; dentre eles: 37 poemas (1961); Os sinais da Terra (1962); O frio dos dias (1986); Poemetos (2004) e, em prosa, MerdocK: um cão em Faro (2004). Atualmente, o autor difunde a obra Arabescos, seu recente trabalho poético.

No café literário, o poeta será convidado a explicitar, aos leitores brasileiros, dados de sua biografia e bibliografia e, sobretudo, as tendências e preferências existentes em sua produção literária.

Vieira Calado dispõe de um blog de poesia amplamente visitado na Internet - “Poesia de Vieira Calado” (http://vieiracalado-poesia.blogspot.com/) -, de onde extraímos alguns de seus poemas para composição desta seleta. A linguagem de Vieira transita nas linhas da natureza e da simplicidade e, sua poesia, enriquece-se pela exposição sinceridade dos sentimentos do poeta, formando belos sentidos paisagísticos ao deleite do leitor. Passemos para alguns de seus textos:



Seleta de poemas: A Poesia de "Vieira Calado" [1]



Poema à minha vida


A minha vida é o que eu penso que é a minha vida,
um golpe de vento o que eu penso ser um golpe de vento.

Vejo no vaivém das ondas apenas a ligeireza das ondas,
a mesma sensualidade das areias que arrastam o vento
e por ele se deixam arrastar numa profunda comunhão
como a água que cai sobre as águas, sem angústia.

E nunca me arrependo de olhar o azul, fazer um gesto
de vigiar o céu, à procura duma estrela imperturbável
apenas a dizer que está ali, longe, contemplando a terra.


(In: http://vieiracalado-poesia.blogspot.com/2007/10/minha-vida.html)



Poema àquela certeza


É esta certeza que o tempo intercepta
– grave rumor do salgueiro ao vento
vento rumor próprio do tempo.

É esta certeza que o rio desenha
na água o vidro....no fundo a sombra
sombra da sombra que se faz na água.

É esta certeza que o vento impele
na água a folha ....no fio do tempo
tempo do tempo que o rio engendra.

É esta certeza que o rumor acende
e deixa no ar redemoinhos
círculos de vento que o vento leva.


(In: http://vieiracalado-poesia.blogspot.com/2008/02/poema-quela-certeza.html)



Poema ao pântano do sol


Esta indolência do ar,
o calor ainda húmido da terra
aberta a um olhar fecundo

que apodrece o pântano do sol
em imagem de poeiras imprecisas
pairando à luz do dia

como um tímido cristal
reflectindo a luz na brisa -

águas breves
caindo sobre a fronte

escorrendo
para o interior dos olhos indolentes
de quem conhece a terra
coberta pelo sol.



(In: http://vieiracalado-poesia.blogspot.com/2008/05/poema-ao-sol.html)



Poema àquele amor


O meu amor é uma bola de sabão-macaco
um caco
um cacto
um encanto
que eu canto
nas mãos do tacto.



(In: http://vieiracalado-poesia.blogspot.com/2008/01/poema-quele-amor.html)








[1] Vieira Calado reside na bela cidade de Lagos - Algarve / Portugal. O escritor, além da atividade poética, interessa-se por astronomia e escreve artigos voltados para a temática, em seu blog “Astronomia Algarve”, disponível em: <http://astronomia-algarve.blogspot.com/>. Para maior apreciação literária do autor, além dos textos selecionados, aqui, nesta breve edição; sugere-se uma visite ao blog: “Poesia de Vieira Calado”, disponível em: <http://vieiracalado-poesia.blogspot.com/>. Contato com o autor: vieiracalado@gmail.com.


** Imagem: "O Gigante" / Lagos-Algarve / Portugal.






quinta-feira, 17 de abril de 2008

Seleta de poemas: Mário Quintana





Seleta de poemas: Mário Quintana[1]



Das utopias



Se as coisas são inatingíveis... ora!

não é motivo para não querê-las...

Que tristes os caminhos, se não fora

a mágica presença das estrelas!




Os poemas



Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.


Quando fechas o livro, eles alçam vôo

como de um alçapão.

Eles não têm pouso

nem porto

alimentam-se um instante em cada par de mãos

e partem.



E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhoso espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti...




Poeminho do Contra


Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!



Bilhete


Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos


Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...


O luar


O luar,
é a luz do Sol que está sonhando
O tempo não pára!

A saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

...os verdadeiros versos não são para embalar,
mas para abalar...

A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem...




Breve Biografia:

Mário de Miranda Quintana, filho de Celso de Oliveira Quintana e de D. Virgínia de Miranda Quintana, nasceu em Alegrete (Rio Grande do Sul), em 30 de julho de 1906 e falecera, em Porto Alegre (RS), no dia 5 de maio de 1994, próximo de completar 87 anos de vida. Ao longo de sua existência, Mário Quintana escreveu para jornais e revistas; fizera várias traduções, e sua atuação individual, no cenário da literatura brasileira, fora intensa e qualitativa; destacando-se as obras:


A Rua dos Cata-ventos (1940); Canções (1946); Sapato Florido (1948); O Batalhão de Letras (1948); O Aprendiz de Feiticeiro (1950); Espelho Mágico (1951); Inéditos e Esparsos (1953); Poesias (1962); Antologia Poética (1966); Pé de Pilão (1968) - literatura infanto-juvenil; Caderno H (1973); Apontamentos de História Sobrenatural (1976); Quintanares (1976); A Vaca e o Hipogrifo (1977); Prosa e Verso (1978); Na Volta da Esquina (1979); Esconderijos do Tempo (1980); Nova Antologia Poética (1981); Mário Quintana (1982); Lili Inventa o Mundo (1983); Os melhores poemas de Mário Quintana (1983); Nariz de Vidro (1984); O Sapato Amarelo (1984) - literatura infanto-juvenil; Primavera cruza o rio (1985); Oitenta anos de poesia (1986); Baú de espantos (1986); Da Preguiça como Método de Trabalho (1987); Preparativos de Viagem (1987); Porta Giratória (1988); A Cor do Invisível (1989); Antologia poética de Mário Quintana (1989); Velório sem Defunto (1990); A Rua dos Cata-ventos (1992) - reedição para os 50 anos da 1a. publicação; Sapato Furado (1994); Mário Quintana - Poesia completa (2005); Quintana de bolso (2006).


(Fonte: Site Releituras - resumo biográfico e bibliográfico: Mário Quintana. In: http://www.releituras.com/mquintana_bio.asp).


Nota:


[1] Seleta de poemas extraída do Site Jornal de Poesia (http://www.secrel.com.br/jpoesia/quinta.html#espelho) e do Projeto Releituras (http://www.releituras.com/mquintana_bio.asp).